sábado, 6 de dezembro de 2008
O Chile
Os Espanhóis levaram algumas variedades viníferas para a América e aclimataram-nas no Chile.
Francisco de Aguirre, tenente de Pedro de Valdívia, plantou em 1548 algumas cepas trazidas do Peru. Mas essas vinhas que se destinavam à produção do vinho necessário para os ofícios religiosos, não eram de qualidade excepcional. A maior parte do vinhedo foi originalmente plantada com cepas vulgares, como a variedade País (chamada Criolla na Argentina e Mission na Califórnia).
Só algumas variedades nobres como a Moscatel, a Malvasia, a Grenache ou a Torrontês foram incluídas neste dote. Mas o Chile é o milagre e esse pequeno património vitícola começou a dar vinhos tão interessantes e elogiados que criaram ciúmes da metrópole, ao ponto de no início do sec. XIX haver uma tentativa de erradicação do vinhedo.
Pós Filoxera
O vinho chileno celebrizou algumas personalidades como Rafael Errázuriz, que chegou a reunir 700 hectares de variedades nobres. A prosperidade do vinhedo viu-se, no entanto travada, em meados do século XX, quando a economia chilena sofreu forte crise e suspendeu as suas trocas comerciais com o resto do mundo.
Algumas vinhas velhas – Urmeneta, Ochagavia – desapareceram, e outras – Cousiño Macul, Concha y Toro, Undurraga, Fernandez Concha, Pereira – tiveram de se confrontar com uma sobrevivência difícil.
Ultrapassada essa fase com o aparecimento de sérios investidores estrangeiros que chegaram ao Chile, com o propósito de recuperar o vinhedo, renovar a tecnologia e restituir o renome do vinho chileno.
O primeiro desses investidores foi o espanhol Miguel Torres, que se instalou em 1978, empreendendo uma revolução quase definitiva.
As vinificações com a temperatura controlada substituíram as angustiantes fermentações em cubas de madeira de faia chilena (rauli).
A seguir a Miguel Torres foram chegando os grandes mitos do mundo do vinho mundial: os Rotschild, Bruno Prats de Cós d’Estournel, Orlando da Austrália e Paul Pontallier de Château Margaux.
Clima
O Chile é uma faixa de terra com cerca de 4500 km de comprimento e 180 km de largura. O clima para a viticultura é moldado por outra cadeia montanhosa, a Cordilheira De La Costa que atinge os 2000 m de altitude. Entre os Andes e a Cordilheira, um vale enorme estende-se virtualmente através de todo Chile, no qual se encontra a principal área de terra disponível para a agricultura. Este vale é atravessado de Este para Oeste por rios, que carregam a água das neves derretidas dos Andes para o mar. Esta água rica em minerais é usada para irrigação.
Os verões são secos e a queda pluviométrica de 350 a 800 mm ocorrem quase exclusivamente nos meses de Inverno. O clima no norte tende a ser mais quente e menos chuvoso, enquanto que no sul é mais frio e húmido. Contudo, de acordo com cada localização individual e a proximidade dos rios ou dos Andes, existe uma grande variedade de microclimas.
Solo
O Vale Central é caracterizado por terra aluvial contendo sedimentos, pedra e minerais, os quais foram trazidos ao longo dos anos pelos rios que descem dos Andes.
Aparte estes solos predominantemente aluviais, há solos com marga e argila na região de Maipo, bem como em Rapel e Cachapoal. Locais individuais com depósito de pedras em Rapel e Maule e solos vulcânicos para o sul de Curicó e Bio Bio.
Regiões
A zona agrária está situada entre apenas 700 km, de Aconcágua no norte ao Bio Bio no sul. Existem actualmente 3 grandes regiões, já que as duas mais setentrionais, Atacama e Coquimbo, só cultivam uvas de mesa para o Pisco (aguardente chilena).
Aconcágua
- Vale de Aconcágua – É a região mais a norte e a mais quente e simultaneamente a mais pequena região vitícola do Chile. O clima é do tipo mediterrânico, quente e seco. O principal produtor é Errazuriz, sendo o seu porta estandarte o delicioso Don Maximiano Reserve, feito à base de Cabernet Sauvignon
Vale de Casablanca – A 80 km a Oeste de Santiago, representando uma das regiões mais prometedoras para vinhos branco. Os primeiros produtores começaram a plantar a vinha em 1982. Os degelos constituem o principal problema deste vale com riscos elevados entre meados de Setembro e finais de Outubro. As boas casas são Viña Casablanca e Viña Villard.
Vale Central
Este vale que se estende por cerca de 500km desde o rio Maipo até ao rio Maule, reagrupa as sub-regiões mais conhecidas da vinha chilena. Se no rótulo aparece a menção DO Vale Central, trata-se duma designação menos precisa na qual os vinhos de diversas sub-regiões foram loteados.
- Vale de Maipo – Este vale é a mais antiga zona de viticultura do país. As condições climáticas são boas, os solos são férteis e aqui reina sobretudo o Cabernet Sauvignon. A região tem várias boas casas produtoras, nomeadamente, Concha y Toro, com o seus excelentes Don Melchor, a Viña Santa Rita, Viña Undurraga, etc.
- Vale de Rapel – As vinhas estão localizadas a 600 metros de altitude do lado oeste e a mais de 1000 metros a Este ao pé da Cordilheira dos Andes. As boas casas são Los Vascos, Casa Lapostolle, Via Santa Amália, etc.
- Vale de Curicó – a cultura da vinha está principalmente concentrada ao longo dos rios Teno e Lontué. Viña San Pedro, Miguel Torres, Viña Montes, etc.
- Vale de Maule – a região de Maule está situada a 250 km ao sul de Santiago. É um grande vale com clima tipo mediterrânico. Excelente a Viña Carta Vieja.
Região do Sul
A grande região do Sul compreende os vales dos rios Bio Bio e Itata. A situação geográfica e o clima são memos propícios à elaboração de vinhos de qualidade produzindo sobretudo largos montantes para o mercado doméstico.
A Austrália
Os primeiros colonos que chegaram à Austrália, em 1788, já levavam videiras na sua bagagem, com a intenção evidente de as plantar e reproduzir no quinto continente o modelo vitícola europeu.
Quinze anos mais tarde, a Sidney Gazette publicava um artigo intitulado «Sistema para plantar um vinhedo».
Mas foi um escocês, James Busby, quem criou o conjunto ampelográfico australiano, importando em 1832 mais de 400 variedades de Vitis Vinífera, (vide mediterrânica ou europeia).
Hoje o vinhedo australiano cultiva com êxito todas essas uvas: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Merlot e Syrah, nas tintas e Chardonnay, Riesling e Sémillon, entre as brancas.
Todas se adaptaram perfeitamente aos vinhedos australianos e nalguns casos, inclusive, como a Syrah ou a Sémillon, desenvolveram características próprias susceptíveis de produzir vinhos surpreendentes e de qualidade extraordinária.
Os britânicos estabelecidos a norte de Sidney, plantaram as suas vinhas no rico vale de Hunter, enquanto que os alemães se reuniram na zona de Adelaide, no Vale de Barossa. Entre estes dois enclaves situa-se o eixo da vitivinicultura australiana.
Os vinhedos do estado de Nova Gales do Sul, no Hunter Valley, ostentam a glória dos pioneiros, ao ser este lugar o primeiro onde se criou uma estrutura vitivinícola, hoje bem desenvolvida.
Em Sidney,, no mesmo lugar onde se encontra o Jardim Botânico, esteve situado o viveiro de James Busby.
Em 1886, quando Hubert de Castella publicou o seu artigo sobre «O vinhedo de John Bull», já aparecia citado – entre as zonas vitícolas australianas mais apreciadas – o estado de Nova Gales do Sul.
Tratavam-se naturalmente, de vinhos generosos, fortemente alcoolizados, mas obtiveram medalhas em feiras vitorianas.
Em 1875, a filoxera começou a devastar o vinhedo australiano. No entanto, Nova Gales do Sul conseguiu sobreviver.
No início do século XX os melhores vinhos foram desaparecendo para deixar só as mais grosseiras imitações dos vinhos generosos. As uvas de grande rendimento substituíram as variedades nobres em muitos vinhedos, estendendo-se as terras cultivadas às zonas mais quentes que praticavam a agricultura de regadio.
A superfície total é de 98 000 hectares, com cerca de 7 000 000 hl.
A vinha está plantada quase a 100% na Austrália Sudeste. A irrigação é uma constante e desde o final do século XIX, vastas operações foram levadas a cabo para transportar água a zonas quase desérticas ( canalizações, barragens, etc.)
Foi a partir da década de 60 que se iniciou a reorganização da viticultura e a descoberta mundial dos vinhos australianos que teve lugar a partir dos anos 80.
Actualmente a Austrália possui das melhores escolas de enologia no mundo com especial relevo para a microbiologia da fermentação, sendo os seus enólogos dos mais requisitados um pouco por todo o mundo.
Legislação
A regulamentação prevendo um sistema de indicações geográficas viu a luz do dia em 1993, mas a noção de marca prevalece na Austrália.
A menção CAW (Certified Appelation Wine), está sujeita a um controle qualitativo, mas os vinhos comercializados pelas grandes casas são sobretudo varietais e muitos provenientes de misturas de diferentes regiões.
Se a casta aparece no rótulo o vinho deve ser elaborado com um mínimo de 85% dessa casta, respeitando-se o mesmo principio se o nome duma região é mencionado.
O contra-rótulo indica frequentemente menções obrigatórias como sejam o conteúdo, percentagem alcoólica, morada do engarrafador, etc. .. mas também informações ao consumidor, castas, método de elaboração, etc.
Relativamente a esta matéria, rótulos, existe o "Programa de Integridade do Rótulo".
Muitos vinhos apresentam a sigla BIN que significa LOTE, do Inglês to Bin, ou dispor garrafas em lotes numa adega.
CASTAS
Brancas
Chardonnay – é a mais importante
Sémillon
Riesling (Rhine Riesling)
Sauvignon
Chenin Blanc
Muscat d'Alexandria - vinhos de sobremesa
Tintas
Shiraz – sinónimo do ilustre Syrah do Ródano, é a mais representativa. É bastante utilizada em lote com o Cabernet
Cabernet Sauvignon
Grenache
Merlot
Pinot Noir
Regiões
A Austrália está dividida em 7 estados:
- Austrália Ocidental
- Austrália do Sul
- Nova Gales do Sul
- Victória
- Tasmânia
- Territórios do Norte
- Queensland
Austrália Ocidental
Os vinhedos da Austrália Ocidental cobrem cerca de 2000 hectares, que em termos globais corresponde a cerca de 2% da produção total nacional.
Apesar disso os seus vinhos são bastante mais importantes do que aquilo que estes dados possam representar.
A maioria dos vinhedos concentram-se no fundo dos vales e ao longo da costa, mas também existem vinhedos em zonas mais montanhosas.
Os vinhedos assentam sobre um solo aluvial castanho ou castanho claro, frequentemente bastante arenoso e com algum cascalho.
As regiões costeiras têm um clima marítimo, ao passo que as zonas do interior e setentrionais são mais quentes e secas.
Variedades Viníferas – castas
As variedades nobres cultivam-se em toda a região.
Em tintas, predominam as variedades Cabernet Sauvignon, seguida da Merlot,da Shiraz, Pinot Noir e Malbec. A
s uvas brancas também oferecem variedade com a Chardonnay, Riesling, Sauvignon Blanc, Sémillon e Chenin Blanc.
Também estão presentes outras variedades, sobretudo no Swan Valley a Moscatel, a Verdelho e a Muscadelle.
Regiões Vinícolas
- Swan Valley junto à cidade de Perth, nas margens do rio Swan. A importância vinícola da região iniciou-se depois da Primeira Guerra quando um grande número de jugoslavos emigrou para Perth e para a Ilha Norte (Nova Zelândia). Desde logo revelaram ser bons viticultores e consumidores dos vinhos que produziam. A meio da década de cinquenta, uma praga (nematóides) causou enormes problemas na vinha – comia a raízes. Essa praga deveu-se à deficiente drenagem dos solos e às elevadas temperaturas da região. No vale as temperaturas são elevadíssimas, traduzindo-se por vezes como das mais altas da Austrália. Por outro lado a humidade é baixa, devido à escassez de precipitação. Estas condições são favoráveis à obtenção de vinhos generosos fortificados.
- Lower Great Southern Region É a região mais a sul da Austrália Ocidental. As primeiras vinhsa foram plantadas em 1966 em Forest Hill, perto de Mount Baker, por viticultores vindos de Vale de Swan. A maioria dos vinhedos da região localiza-se em subsolos de argila impermeável, que impede a drenagem. Esta região divide-se em 3 sub-zonas: as colinas de Denmark, o Mount Baker e os vinhedos do rio Frankland. As temperaturas das zonas de Mount Baker e do rio Frankland são as mais frias de toda a Austrália Ocidental.
- Margaret River Encontra-se a sul de Perth, no extremo sudeste da Austrália. É a mais povoada e melhor organizada (aqui se utilizou pela primeira vez a DO). A fama deve-se a um grupo de médicos da região, que elaboraram um estudo em que se comparava a área a Bordéus, chegando à conclusão que a região oferecia características muito semelhantes quanto ao crescimento da videira, inclusivamente com a vantagem de não estar sujeita às geadas primaveris, beneficiando de um sol estival mais seguro, menor risco de granizos ou chuvas excessivas durante a época de maturação. Apesar disto tudo existe um senão: o vento. As brisas marítimas refrescam as videiras, mas a zona costeira é fustigada por vendavais carregados de sal proveniente do oceano Indico, inconveniente que afecta o amadurecimento da Chardonnay e da Merlot, ficando o solo ressequido, sendo necessário por vezes, utilizar sistemas de irrigação. Apesar disso a qualidade dos vinhos desta região é exemplar. Elaboram-se extraordinários tintos à base de Pinot Noir e Cabernet Sauvignon e brancos de Chardonnay, assim como atractivos vinhos de Sémillon e até Sauvignon e até um Porto Reserva.
- Southern Coastal Plain Aglutinam-se vinhedos dispersos com grandes diferenças climáticas. O denominador comum em toda a região é o solo. Todos os vinhedos têm o mesmo tipo de solo, composto de pó fino que recebe o nome de tuart sand , designação que está relacionada com eucaliptos típicos da zona. Estas árvores oferecem uma defesa eficaz contra a invasão das aves migratórias, pois a sua alimentação predilecta são os rebentos prematuros da flor do eucalipto, poupando assim as uvas doces. Estes solos de pó fino costuma ser de areia ou de seixos e os subsolos são de margas argilosas. Têm capacidade de reter água, pois frequentemente a rega é necessária o que permite ao viticultor uma grande flexibilidade de manobra.
- Perth Hills a natureza montanhosa dos vales cria microclimas muito diferentes, as brisas marítimas sopram das escarpas da cordilheira e fazem baixar as temperaturas diurnas, mas o ar quente faz com que a temperatura não baixe excessivamente durante a noite.
Austrália do Sul ou Austrália Meridional
Quando se fala de vinhos da Austrália, há que pensar em alguns dos melhores Cabernet e Syrah do mundo. A fama mais merecida têm-na os vales quentes como Barossa, mas actualmente alguns viticultores apostam nas colinas dos arredores e regiões mais frias, como Coonawarra e Pathaway.
Os emigrantes alemães plantaram o primeiro vinhedo do estado de Austrália Meridional quando fugiam da perseguição religiosa da Silésia, entre os anos quarenta e cinquenta do século XIX. As plantações começaram em Barossa Valley, e actualmente muitos dos seus descendentes prosseguem o trabalho empreendido pelos antepassados.
A Austrália Meridional possui uns 28 000 hectares de vinha – que representa cerca de 45 % do total do vinhedo australiano.
Clima, Solo e Uvas
A água é uma preocupação constante para a Austrália. A carência em água faz com que uma boa parte do país seja um autêntico deserto.
As únicas regiões do Sul que dispõem de água suficiente são o extremo meridional e Coonawarra, que inclusivamente a têm em excesso. Porém em traços gerais a Austrália Meridional possui uma boa provisão hídrica graças ao Rio Murray. O clima da região é instável: frio em zonas como Adelaide e Coonawarra, e quente e seco em Barossa. O solo é uma mistura de marga arenosa, vermelha, argilas e terras vulcânicas. Nas uvas tintas predominam as variedades Syrah, Cabernet Sauvignon e Grenache. Nas brancas a Riesling, Chardonnay e Gewurztraminer, a Sauvignon Blanc e a Sémillon são as mais cultivadas, juntamente com a Palomino e a Pedro Ximenez (típicas de Jerez, Espanha).
Principais regiões vitivinícolas
O estado compõe-se de sete regiões principais. O destaque vai para Barossa Valley, onde estão sediadas as empresas mais importantes, como Penfolds, Orlando, Seppelt, Wolf Blass e Yalumba. Adelaide Hills, oferece uma encruzilhada de vinhas com clima fresco. Em direcção a Norte, encontra-se a meseta de Clare conhecida pelo seu Riesling. A sul a Southern Vales onde está Hardy e umas cinquenta outras empresas. Mais a sul está Langhorne Creek, que proporciona a maior parte das uvas tintas às propriedades de Barossa. A sudoeste estão Coonawarra – a região australiana mais importante quanto a tintos – e Padthaway, que adquiriu fama com os seus vinhos brancos de Chardonnay.
- Coonawarra Esta região a cerca de 400 km a sudoeste de Adelaide caracteriza-se pelo clima severo, de invernos rigorosos e verões abrasadores. Possui uma terra vermelha muito característica (terra Rossa) que cobre um subsolo de pedra calcária. São os vinhedos mais Meridionais e, portanto os mais frios da Austrália. As condições climáticas especiais e os solos de Terra Rossa converteram Coonawarra numa das regiões mais procuradas para o cultivo da vinha. Coonawarra tornou-se famosa pelos tintos de Syrah, mas o verdadeiro êxito conseguiu-o com o Cabernet Sauvignon, hoje a variedade dominante. Em brancos domina a Riesling , seguida da Chardonnay, em clara progressão.
- Padthaway pequena zona que se estende a uns 60 km a norte de Coonawarra é uma região relativamente jovem no cultivo da vinha. A sua terra está algo encharcada para o cultivo da vinha, sendo que a sudoeste existe uma bolsa de cristas calcárias que oferecem boas condições para o cultivo da vinha.
- Clare Valley Região com belas condições para o cultivo da vinha. Embora o seu clima seja um dos mais extremos – um dos índices mais baixos de precipitação da Austrália – a produção de brancos aromáticos e firmes e de alguns tintos elegantes é desconcertante. Isto deve-se à altitude, já que nenhum dos seus vinhedos se encontra abaixo dos 400 m. Além disso, as brisas marítimas refrescam o vinhedo e a crista montanhosa de oeste protege os vinhos dos frios e húmidos ventos. Obviamente que também aqui a irrigação é essencial. É uma região onde se pode encontrar um elegante Riesling como um dos Syrah mais concentrados da Austrália, «Portos», ou um «liqueur Tokay» de qualidade excepcional.
- Barossa Valley Uma das regiões mais conhecidas da Austrália. O próprio vale de Barossa possui um clima quente e tem que recorrer à rega por aspersão nos verões áridos. Os solos desta região são variados, desde que a marga pesada até à areia leve e alguns necessitam de cal para contrariar a acidez. Muitas das grandes adegas australianas agrupam-se em redor de Nurioopta, Tamunda e Angaston.
- Adelaide Hills e Southern Vales A primeira situa-se junto a Adelaide e a segunda mais a sul. Aqui produzem-se alguns dos brancos e tintos de maior qualidade da Austrália. Em Adelaide encontra-se o famoso vinhedo de Magill, propriedade do grupo Penfolds.
- Riverland encravada a nordeste de Adelaide, produz principalmente vinhos de mesa, embora também vinhos de Jerez, aguardentes de vinho e alguns brancos e tintos de variedades nobres.
Nova Gales do Sul
A Nova Gales do Sul é o berço do vinho australiano, embora apresente duas zonas claramente diferenciadas: a norte na área de influência de Sidney, com os vinhedos de Lower Hunter Valley, Upper Hunter Valley e Mudgee (este último mais para o interior), e no centro, com o vinhedo de Murrumbridge.
- Hunter Valley É a região de vinhedos mais conhecida, existindo cerca de 30 adegas. Esta zona é completada pelo Upper Hunter Valley, havendo grandes extensões de Riesling, Sémillon e Chardonnay. Historicamente, foram os brancos secos de Sémillon que fundamentaram a fama de Hunter Valley. Também se elaboram tintos muito interessantes com a variedade Syrah. Mas devido ao esforço de Dr. Max Lake – cirurgião famoso – recuperaram-se as cepas de Cabernet Sauvignon, que aqui produzem vinhos de uma qualidade impressionante. O clima de Hunter Valley é muito quente no Outono. Contudo, as diferenças entre o dia e a noite prolongam o ciclo de maturação das uvas e favorecem a formação das suas melhores características aromáticas. A introdução de tecnologia moderna para controlar a temperatura das fermentações, o que aconteceu a partir da década de 60, melhorou consideravelmente as aguardentes e os vinhos pesados destas regiões, embora seja nos sistemas inovadores de poda e de condução (minimal prunning) que a viticultura australiana deu passos de gigante, criando a sua própria escola. Em Hunter Valley, há mais de 50 adegas. McWilliam’s Mount Pleasant, Hungerford Hill, Lindeman’s, The Rothbury Estate e Tulloch Wines são as maiores. Tyrrell’s Vineyards é muito conhecido e muito apreciado pelo seu Chardonnay, que causou furor a partir da década de 70.
- Mudgee Mais para o interior encontra-se o pequeno vinhedo de Mudgee. As águas do Cudgegong (rio) fertilizam os vinhedos situados em altitudes superiores aos 400 m. Os viticultores de Mudgee, têm ganho prestígio como inovadores e respeitadores do meio ambiente. A zona muito pequena, autentica os seus vinhos com um Certified Mudgee, que garante a proveniência dos vinhedos locais. É o mais parecido com as denominações de origem europeias e sem dúvida significa um passo em frente na organização anárquica dos vinhos australianos, onde somente o prestígio da marca e, muitas vezes, a especificação das variedades, informam o consumidor.
- Murrumbidge – Ainda mais para o interior, quase no centro geográfico de Nova Gales do Sul, a MIA (Área Irrigada de Murrumbidge), nutre-se das águas do rio do mesmo nome, distribuídas através de uma extensa rede de canais. A fertilidade do terreno contribui para que a produção seja considerável. De facto, a MIA é o maior produtor da Nova Gales do Sul. Nesta zona elaboram-se todos os tipos de vinhos, imitando sem qualquer pudor espumantes, Sauternes, Lambrusco, Porto e Xerez.
Vitoria
A região de Vitória, na Austrália, é uma das zonas vitícolas do Novo Mundo que foi reconhecido por ser uma das regiões que possuem melhor solo e clima para a obtenção de vinhos de qualidade.
Desde que a videira chegou à Austrália em 1834, proveniente da Tasmânia, Melbourne, situada a norte da baía de Port Phillip, destacou-se como um dos locais mais apropriados para o cultivo da vinha.
Os colonos suíços foram os primeiros que deixaram marcas nesta terra. A filoxera que entrou na Austrália por Geelong em 1875, devastou sistematicamente todas as vinhas do estado. A partir desse momento nasceu a nova Vitória até aos tempos actuais.
Solos, clima e variedades
Em linhas gerais, Vitória reparte-se por 3 tipos de solos: o Norte é composto por marga vermelha, no vale de Goulbourn predomina o quartzo aluvial e no Geelong o vulcânico. As regiões costeiras têm um clima marítimo mais fresco, que faz com que as uvas amadureçam lentamente, enquanto no Nordeste, com o clima quente se elaboram vinhos generosos. Os melhores vinhedos localizam-se em costas pronunciadas, orientadas a norte nas zonas de clima frio, o que permite um longo amadurecimento das uvas.
No estado de Vitória predominam as variedades tintas Syrah, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. As brancas são Chardonnay, Riesling, Gewurztraminer, Marsanne, Sauvignon Blanc e a Moscatel.
Os melhores vinhedos assentam em solos vermelhos de marga. São solos leves, pois têm a virtude de conservar a água necessária para que as videiras desenvolvam um amplo sistema radicular com raízes grandes e fundas. Elaboram-se vinhos licorosos, de sobremesa, os stickies (viscosos), entre eles os mais finos da Austrália, conhecidos por liqueur muscat e tokay.
- Gouldburn Valley os vinhedos desta região beneficiam de um clima bastante quente, especialmente os famosos vinhedos de Chateau Tahbilk (fundado em 1860), cujas cepas velhas produzem tintos muito saborosos e brancos de excelente nível. Os melhores brancos são elaborados com as variedades Marsanne e Sauvignon Blanc, fermentados em barrica. Nos tintos predominam o Pinot Noir e Cabernet Sauvignon.
- Geelong Situada a Oeste de Melbourne. Não sendo abundante de água, também os ventos frios do Antártico se cruzam com as grandes massas continentais, o que faz com que não haja demasiado calor. Solo de origem vulcânica. Geelong foi a zona principal e mais antiga onde assentaram as primeiras vinhas do estado, graças à colonização dos vingnerons suíços que impuseram os seus conhecimentos na elaboração de vinhos de clima frio.
- Vitória Central dividida em:
Great Western região produtora de Chardonnay e espumantes. Também são conhecidos os vinhos brancos enriquecidos com álcool, tipo sherry, e os tintos secos elaborados com Cabernet Sauvignon e Syrah
Pyrenees Especialmente vinhos brancos frescos, espumantes de qualidade e aguardentes de vinho.
Bendigo Semelhante a Pyrenees mas mais quente. Os seus melhores vinhos são tintos
4. Yarra Valley renascida na década de 70, de tipologia orográfica complexa, com encostas que oscilam entre os 50 a 400 m. Os solos mais arenosos e argilo-calcários, até terra vulcânica de vermelho intenso, fértil e funda. Os vinhos Chardonnay bem ao estilo chablis. Devido às condições húmidas de armazenamento, produzem-se vinhos doces de Botrytis. Os tintos são bastante cotados, à base de Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. Nesta região foi criado o melhor espumante da Austrália, graças à implantação em 1988 da firma Moët & Chandon, com o seu Domaine Chandon.
A Argentina
Geografia
Situa-se na América do Sul, ocupando uma área de 2,7 milhões de km2. Faz fronteira com o Chile, Bolívia, Paraguai, Brasil e Uruguai. A capital é Buenos Aires. O clima é predominantemente moderado.
Na parte oeste fica a cordilheira dos Andes, que atinge 6.880 metros nos Ojos del Salado e 6.958 metros no Aconcágua, o mais elevado dos picos andinos e de toda a América.
O país apresenta enormes planícies, sendo a agricultura a base económica. Mas, 84% da população vive em cidades. Os argentinos, 86% dos quais de origem europeia, professam o catolicismo.
As principais cidades são Buenos Aires (3 000 000 habitantes); Córdoba (1 000 000); Rosário (950 000); La Plata (500 000); Tucumán (400 000); e Santa Fé (380 000).
O país divide-se em 22 províncias. A forma de estado é a de república presidencialista. A moeda é o peso argentino. O rendimento do PIB per capita é de 10.000 Euros. O alfabetismo abarca 96% da população e a esperança média de vida é de 74 anos.
História
Em 1534, dois colonizadores europeus, um sacerdote chamado Padre Cidrón e Juan Jufré, o fundador da cidade de Mendoza, plantaram as primeiras videiras na Argentina.
Hoje, 450 anos depois, a Argentina continua produzindo vinhos com o mesmo espírito pioneiro.
No primeiro assentamento espanhol nas terras habitadas pelos índios Huarpes, eles descobriram que a população nativa colhia e cultivava nesse clima desértico. Mesmo assim, foram os Incas os que trouxeram os conhecimentos necessários para dar vida a essa área.
A irrigação artificial já era uma prática estabelecida entre os habitantes oriundos do oeste argentino quando os europeus chegaram.
Os novos colonizadores inventaram um sistema de provisão de água mais sofisticado do que o estabelecido pelos seus antecessores indígenas.
Amparando-se no degelo e na neve da Cordilheira dos Andes, eles construíram uma complicada rede de diques e largos canais para conduzir a água e providenciar suficiente irrigação às áreas que eles desejavam cultivar. É surpreendente que tão extenso oásis verde tenha sido criado e desenvolvido no deserto.
A paciência e a ingenuidade tanto dos primeiros colonizadores como dos do final do século, para desenvolver um único e complexo método para capturar a água e distribuí-la através de uma vasta rede de canais de irrigação, é tão espectacular actualmente como deve tê-lo sido nessa época.
No século XIX, a indústria começou a crescer graças à influência dos imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram ao país novas videiras e importantes técnicas vitícolas e de produção de vinhos.
A introdução de variedades europeias como a Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Chenin Blanc, melhoraram substancialmente a qualidade do vinho argentino. Foram então os colonizadores italianos e espanhóis os que formaram a base da viticultura e da produção de vinhos na Argentina, outorgando à área a riqueza cultural que possui actualmente.
As estatísticas da OIV (Organisation Internationel du Vin) em 1996 confirmam a importância da Argentina no cenário vinícola internacional, especialmente no século XX: é o quinto maior produtor e o quinto maior consumidor mundial de vinhos e já ocupou a quarta posição na década de oitenta.
Durante muito tempo, a quantidade superou a qualidade nos vinhedos argentinos que se adoptava o cultivo de uvas de alto rendimento, porém de baixa qualidade (Criola Grande, Cereza, etc.), e um sistema de plantação arcaico.
A alta produção de vinhos inferiores inundou a mesa das famílias argentinas que não se importavam com a qualidade da sua bebida do dia-a-dia. Nas décadas mais recentes, a vitivinicultura Argentina passou a cultivar em maior escala uvas de espécies europeias nobres, adoptou modernas técnicas de cultivo e vinificação e, consequentemente passou a produzir vinhos de boa qualidade. Embora o consumo per capita tenha diminuído, o consumidor argentino aumentou consideravelmente a produção e a exportação de grande número de vinhos de alta qualidade.
A Argentina está prestes a se transformar em mais uma estrela no cenário vinícola mundial, fora do circuito europeu, tal como ocorreu com outros países do Novo Mundo, como o seu vizinho Chile, a África do Sul, a Austrália, os Estados Unidos e a Nova Zelândia.
Apesar da sua proximidade com os Andes, as regiões vitivinícolas argentinas, ao contrário do Chile, não ficaram imunes ao ataque da praga Phylloxera vastatrix e enfrentam a adversidade de um clima seco, o que demanda cuidado redobrado e a adopção de um eficiente sistema de irrigação.
Clima
A Argentina abrange um panorama fabuloso de terreno e clima, que vai desde a fronteira com o Brasil e suas florestas subtropicais às terras congeladas da Patagónia e da Tierra del Fuego.
A Argentina vinícola é também um exemplo fascinante de viticultura, possuindo os elementos que os winemakers de outras partes do mundo gostariam muito de ter: dias mornos de verão com noites frescas, humidade baixa e solos bem drenados que são inóspitos à filoxera e às outras doenças.
A grande maioria dos vinhedos fica situada no canto noroeste do país, predominantemente na província de Mendoza, nas encostas orientais dos Andes, com precipitação anual escassa (entre oito e doze milímetros por o ano). Ao mesmo tempo os rios dos Andes, originando em neves profundas do inverno, fornecem a abundância da água da irrigação. A influência climática atlântica traz pouca chuva no verão, e algumas áreas são sujeitas às geadas adiantadas e atrasadas.No sentido mais básico, muitos vinhedos argentinos são oásis elevados.
As alturas em áreas de vinhedo variam entre 500-1500 metros.
O clima é continental, uma estação seca no inverno com chuvas leves de verão e uma média de temperaturas entre 24,6º C no verão e em 9,4º C no Inverno.
As geadas de verão, que podem ter pedras tão grandes quanto bolas de golfe, são o único risco climático real aos vinhedos. Pode causar perdas desastrosas danificando a colheita actual das uvas e das gemas de crescimento para o ano seguinte.
Proteger as videiras com uma tela é extremamente caro, mas é a única defesa dos produtores.
Viticultura
Os métodos tradicionais da irrigação são a inundação e por sulcos, mas ambos podem produzir sabores diluídos no vinho quando usados em demasia. Como os winemakers buscam melhorar a qualidade da uva, eles devem também limitar os rendimentos por hectare. Os sistemas de irrigação estão tornando-se cada vez mais refinados. Os novos desenvolvimentos começaram a usar a irrigação por gota a gota. Os solos argentinos variam ao longo do comprimento dos Andes e variam de arenoso à argila, mas são predominantemente argilosos.
A maioria é de solo alcalino rico em cálcio e potássio, mas pobres em material orgânico. Os valores de pH usuais pairam ao redor oito. Aqueles na província de Mendoza tendem a ser mais cheios de pedra e aluviais.
As videiras são cultivadas em dois estilos principais chamados latada (parreiral) e em espaldeira. No estilo latada, as videiras são plantadas relativamente distantes umas das outras e crescem sobre um único tronco com um ou dois metros de altura. Este sistema mantém a uva bastante acima da terra para evitar o calor e as geadas e é também compatível com colheita mecânica. Também é associado com os rendimentos elevados e pode causar amadurecimento irregular. O estilo mais clássico de espaldeira usa um sistema de três fios paralelos para cultivar as videiras horizontalmente. É mais compatível com irrigação de gota a gota e gerência da maturação.
As Variedades
Hoje vários produtores têm plantado inúmeros tipos de uvas para desenvolvimento de mais uma variedade que melhor se adapte ao solo argentino assim como a Malbec. A variedade Bonarda, originária da região do Piemonte, na Itália, já tem feito grande sucesso.
As uvas Malbec encontraram favoráveis condições de crescimento na Argentina, e não há dúvidas de que a Malbec Argentina é umas das uvas mais deliciosas e de maior sucesso no mundo. Sua coloração intensa, seu aroma a amora, ameixas e mel, e a sua habilidade para amadurecer à perfeição, criam vinhos de uma textura aveludada e duradoura, e agradável sabor.
Quando os vinhos são envelhecidos em barris de carvalho, a fragrância de baunilha e o suave tanino são perfeitos acompanhantes para um bife ou até um chocolate ou um doce de amora vermelha.
A Torrontés é a variedade de uva branca mais distintiva da Argentina. Produz um vinho branco frutado e elegante de uma fresca acidez. Constitui um grande atractivo para os jovens bebedores de vinho branco que apreciem o seu carácter frutado e floral.
UVAS TINTAS
Barbera, Bonarda, Nebbiolo, Dolcetto, Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec, Merlot, Petit Verdot, Pinot Noir, Syrah, Tempranillo
UVAS BRANCAS
Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Viognier, Moscato Bianco, Tocai, Moscatel, Pedro Ximénez, Riesling, Torrontés.
As Regiões
REGIÃO NORTE
A região norte é constituída por cinco sub-regiões em direcção norte-sul:
Jujuy,
Salta (Ou Salta Cafayate)
Catamarca
La Rioja (compreende distritos Nonogasta e Chilecito
San Juan
sendo que as duas últimas formam o Valle del Tulum.
A região norte produz poucos vinhos de qualidade e grande quantidade de destilados vínicos.
Os destaques são para as sub-regiões de Salta, onde se faz o melhor vinho da uva Torrontés (uva branca muito plantada no país), e San Juan, cujos vinhedos fornecem 18% da produção do país e faz bons vinhos das uvas Malbec e Cabernet Sauvignon.
REGIÃO CENTRO
Mendoza
Mendoza é a mais importante zona vinícola Argentina, com produção de 75% do total de vinhos do país e 85% dos vinhos de qualidade!
Possui vários distritos tais como Agrelo, Drumond, Luján de Cuyo, Maipú, Perdriel, Rivadavia, Rodeo de La Cruz, San Rafael e Tupungato.
Deles, o mais importante é San Rafael, com seus sub distritos de Paredes, Alto de Las Paredes e Rama Caída, que alguns consideram uma zona vinícola à parte de Mendoza.
REGIÃO SUL
Neuquén e Rio Negro
Seus vinhedos correspondem a apenas 5% da área cultivada no país, mas é considerada uma região promissora, possuindo clima mais frio, semelhante aos das melhores regiões chilenas. A região está no Alto Valle del Rio Negro e divide-se nas sub-regiões Neuquén e Rio Negro.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Suiça


A Suíça
Notas históricas
Como um pouco por toda a Europa, a História da vinha a Suíça está marcada por três pontos fortes:
1 - A invasão romana
2 - As actividades dos monges
3 - A chegada de parasitas (Filoxera, míldio e oídio)
A contribuição dos Romanos
As legiões Romanas de Júlio César implantaram não somente as vinhas ao Norte dos Alpes mas também o seu "savoir faire". Em Valais admite-se que o nome das velhas castas indígenas (amigne, arvine, reze) derivam de nomes latinos tais como termos, nomeadamente "vigneron" (vinitor), "môut" (mustum) e "vin" (vinum).
A contribuição dos Monges
Com a chegada do Cristianismo e dos seus ritos sagrados (em particular a eucaristia), o vinho assumiu um novo significado. Os monges Cistercenses que a regra obrigava a trabalhos manuais, refizeram as vinhas existentes e transformaram terras incultas em novos vinhedos. Foi assim que eles criaram entre outros o Dézaley.
As doenças
Na segunda metade do Séc XIX apareceram a filoxera, o míldio e o oídio. De 1877 a 1957 a superfície vitícola da Suíça passou de 33 000 a 12 500 hectares, sendo actualmente de 14 900 hectares.
Clima
- A latitude do vinhedo suíço situa-se de forma geral, do paralelo 45 até um pouco para além do 47
- A altitude da vinha não ultrapassa, regra geral os 600 m embora possa variar. O Valais vai dos 750 m e a partir dos 1100 encontra-se uma das mais altas vinhas da Europa em Visperterminen.
- A temperatura média anual não deverá ser inefrior a 9ºC. Para obter uma maturidade suficiente, a temperatura média de Julho deve chegar ou ultrapassar os 18ºC. No período de vegetação, a vinha gela por volta dos (-) menos 2,5ºC.
- O ensolaramento minímo necessário ronda as 1500 a 1600 horas por ano, das quais o mínimo 1200 em período de vegetação.
- O declive ainda que bem orientado, altera estas condições e muito particularmente o aquecimento do solo. Algumas vinhas na Suíça têm um declive de 85%.
- As precipitações anuais para a cultura normal da vinha andam na ordem dos 600 mm. Se as precipitações ultrapassarem os 900 a 1000 mm, o período de erosão acentua-se e as doenças criptogâmicas, míldio e podridão, nomeadamente, podem tornar-se muito violentos.
- Os microclimas existem em grande número.
Castas Brancas
Chasselas ( a mais importante cultivada na Suíça)
Sylvaner
Riesling
Riesling x Sylvaner (Müller Thurgau. É a principal casta na Suíça Alemã)
Pinot Gris
Pinot Blanc
Chardonnay
Gewüztramimer
Raüschling
As especialidades do Valais
- Amigne
- Petir Arvine
- Marsanne Blanche
- Humagne Blanc
- Muscat do Valais
- Païen (Heida/Savagnin)
- Reze (produz o famosos vinho dos glaciares do vale de Anniviers)
Castas Tintas
- Pinot Noir (é a principal casta da Suíça Alemã)
- Gamay
- Merlot (é a principal casta do Ticino)
- Bondola
- Humagne Rouge
- Cornalin
Castas dominantes nas Regiões
Suíça Romana – Chasselas, Pinot Noir, Gamay
Suíça Oriental – Müller Thurgau; Pinot Noir
Suíça Italiana – Chasselas; Sémillon, Merlot
Suíça Romana
- Valais
O Valais é de longe a maior região vitícola da Suíça, correspondente a sensivelmente 40% da produção helvética. Tem o clima mais seco da Suíça.
Denominações de Origem
Brancas:
Fendant (da casta Chasselas, secos, plenos e carnudos)
Johanisberg (da casta Sylvaner, suaves, amplos e encorpados)
Dôle Blanche (Pinot Noir e Gamay vinificadas em branco)
Rosés
Olho de perdiz (vinhos obtidos exclusivamente de Pinot Noir após curta fermentação, frescos, frutados e ligeiros)
Tintos
Dôle (Pinot Noir >50% e Gamay ou Pinot exclusivamente, harmoniosos, finos e ligeiros)
Pinot Noir (Aveludados e aromáticos)
No Dôle desde 1958, que se o vinho não corresponde às às exiegências é desclassificado em GORDON
- Vaud
Em superfície é o 2º dos Cantões Vitícolas. As vinhas apresentam-se em terraços. A sua vocação é o vinho branco originando o principal dos Chasselas, o Dézaley.
Denominações de Origem
Brancas:
Côtes de l’Orbe, Bonvillars, Vully (Chasselas)
La Côte (casta Chasselas)
Lavaux (casta Chasselas) – 2 Crus (Dézaley e Calamin)
Chablais
Tintos
Salvagnin (Gamay e/ou Pinot Noir)
- Genéve
É o 3º Cantão da Suíça, consagrando 1/23 do seu território à vinha, orgulhando-se de possuir a maior densidade vitícola do país.
Denominações de Origem
Brancas:
Perlan – casta Chasselas, fresco e leve, excelente como aperitivo
Tintos
Gamay de Genéve
- Neuchâtel e os 3 Lagos
É o mais pequeno cantão vitícola. A legislação deste cantão foi a primeira a impor um limite máximo de rendimento.
Denominações Regionais
Brancas:
Chasselas (Vivos, ligeiramente petillants e florais)
Rosés
Olho de Perdiz (é a invenção de Neuchâtel que foi de seguida adoptada por outros cantões. Este rosé de Pinot Noir apresenta uma cor salmão, parecida com o olho habitualmente castanho duma perdiz em agonia. "Imitado Jamais Igualado" no dizer desta gente, o vinho é aromático e frutado, resultante duma breve maceração)
Tintos
Pinot Noir (Finos, frequentemente de grande classe, perfumados e com boa acidez)
Suiça Italiana
TICINO
É o 4º cantão da Suiça e o mais meridional. A casta Merlot afirma-se como a grande vocação da viticultura desta região.
Tintos
Merlot del Ticino (Belo granada, apresenta aromas de cereja negras, com taninos elegantes, aveludado e bouquet delicado)
O Nostrano é o vinho tradicional, de carácter rústico, obtido a partir da bondola à qual se juntam outras castas, freisa, bonarda, malbec, etc. O Merlot bianco é um branco da casta Merlot exclusivamente vinificado em branco. O merlot rosé é um vinho ideal para aperitivo ou refeição estival.
A marca VITI é um rótulo de qualidade atribuído por uma comissão cantonal de degustação, aos merlots que foram submetidos ao controle da comissão do laboratório químico cantonal. Estes vinhos devem corresponder a critérios bem determinados e devem obter no mínimo 61 pontos num máximo de 85.
Suiça Oriental (Alemã)
É um autêntico mosaico de vinhas. Seja nas margens do Reno ou do Lago de Zurich, as vinhas da Suiça Alemã parecem uma legião.
Denominações
Brancas:
Riesling x Sylvaner (Finos, frutados com perfume a muscat)
Tintas:
Blauburgunder, Clevner (A partir do Pinot Noir, raçados e elegantes)
Considerado hoje como uma especialidade, a antiga casta Räuscling está ainda solidamente estabelecida nas margens do lago de Zurique e na região circundante.
Estão igualmente presentes o Pinot Gris e Gewüztraminer.
Sob a menção "Süssdruck" a Suiça Oriental oferece toda uma gama de rosés obtidos da casta Pinot Noir.
Austria

Austria apresentação
A Áustria tem uma superfície total de vinhedos de 49 000 hectares, com um consumo médio de 32 litros por habitante.
Foram os Celtas que introduziram a vinha à 2400 anos.
Valorizada com o domínio Romano, a viticultura conheceu um novo auge na idade média graças aos religiosos.
No século XVI a popularidade da cerveja e as taxas sobre o vinho infligiram uma crise grave à viticultura Austríaca.
No século XVIII em 1784 mais precisamente o Imperador Joseph II permitiu a venda e o consumo dos vinhos no lugar de produção. Foi assim que ele lançou as bases do famoso Heurige, esta tradição que consiste em degustar os vinhos na região dos produtores.
Um exemplo intessante prende-se com o facto de o mosteiro de Klosteneuburg que criou em 1860 uma escola de viticultura e enologia teve um papel importante na história dos vinhos austríacos.
Como os outros países a Áustria não escapou ás doenças criptogâmicas vindas da América. Outros problemas surgiram nos anos 1980, o que obrigou o governo a adoptar uma legislação rigorosa em 1985.
Castas
Normalmente os vinhos tomam o nome das castas.
BRANCAS
- Grüner Veltliner - com cerca de 35%é a mais importante na Áustria. Os melhores vinhos encontram-se ao longo do Danúbio. Cor amarelo claro, com reflexos verdes, bom aroma, muito frutada e viva.
- Müller Thurgau – representa quase 8% ( este cruzamento foi desenvolvido em 1882 pelo Dr. Hermann Müller, nascido no cantão suíço de Thurgau mas a trabalhar em Geisenheim. O riesling x sylvaner é também conhecido por Rivaner no Luxemburgo e Eslovénia e Rizlingszilvani na Hungria)
- Welschriesling – o chamado Riesling Itálico é o principal casta na Burgenland e Styiria. Representa 9%
- Riesling – representa 3%
- Weisser Burgunder ou Pinot Blanc
- Traminer
- Neuburger – casta típica da Áustria que representa 2%
- Zierfandler – juntamente com a Rotgipler são ideias para lotes no Gumpoldskirschen, célebre cru Austríaco.
- Muscat Ottonel
- Sauvignon
- Morillon (Chardonnay)
TINTAS
- Blaufränkisch – é a casta mais importante dos vinhos tintos da Burgenland
- Blauer Portugieser – principalmente na Baixa Áustria.
- Saint-Laurent
- Zweigelt (blaufränkisch x Saint – Laurent)
Regiões
Baixa áustria (Niederösterreich)
Wien (Viena)
Burgenland
Styria (Steiermark)
1 – Baixa Áustria – É a 1ª região vitícola do país, representando com os seus 30 700 hectares mais de metade de toda a superfície plantada. A casta mais plantada é a Grüner Veltliner. Subdivide-se em:
· Wachau
· Kamptal-Donauland
· Weinviertel
· Donauland Carnuntum
· Thermenregion
2– Wien – tem cerca de 620 hectares. Possui vinhos simples, agradáveis e sem pretensão, comercializados pelos próprios viticultores nas suas tabernas e albergarias. São os heurige, significando ao mesmo tempo vinho novo e o local onde é consumido.
3 – Burgenland – tem cerca de 16 000 hectares, situada perto da fronteira húngara. É a 2ª região mais importante. Subdivide-se em:
Neusiedlersee
Neusiedlersee-Hügelland
Mittelburgenland
Südburgenland
4– Styria tem cerca de 3 700 hectares e está colada à Eslovénia, representando 5%. Subdivide-se em 3 zonas (sul, oeste e sudeste)
West Steiermark
Süd Steiermark
Süd-Oest - Steiermark
Legislação
A nova lei austríaca acerca dos vinhos figura entre as mais rigorosas do mundo devido a factos passados hà alguns anos ligados a fraudes como a estabilização e a conservação do vinho com produtos tóxicos.
Ela controla as normas de qualidade e define as apelações e as definições utilizadas nos rótulos.
Membro da EU desde 1995, a Áustria sujeita-se obviamente às regras comunitárias.
Existem 2 escalões principais de qualidade para os vinhos austríacos.
- Vinhos de Mesa (Tafelwein)
- VQPRD (Qualitätaswein, Kabinnet, Prädikat)
1 – Tafelwein - Obtidos a partir de uvas onde o peso mínimo é de 13ªKMW (63ºOechsle). Um vinho de mesa pode ser identificado como:
· Landwein (Vinho Regional)
· Vin de Cru
O grau alcoólico não pode ultrapassar 11,5% com um mínimo de 8,5%. Esta categoria está também o Schilcher (Rose)
2– Qualitätswein produzidos a partir de castas de qualidade, com um máximo de maturidade de 15ºKMW (73ºOechsle). Podem ser sujeitos a chaptalização e têm um número de qualidade
Kabinnet – idênticos com um peso do mosto variando de 17º a 19º KMW (83,5 a 94º Oechsle)
Prädikat - dividem-se em:
Spätlese – vinho de qualidade com uvas colhidas após as vindimas gerais e com um mosto mínimo de 19ºKMW
Auslese – é uma selecção tardia obtida exclusivamente de uvas cuidadosamente seleccionadas, excluindo uvas defeituosas ou maduras. Tem um grau de qualidade mais elevado e o peso do mosto deve ter um mínimo de 21ºKMW.
Beerenauslese – é uma selecção de uvas em sobrematuração e afectadas pela podridão nobre onde o mosto mede no mínimo 25ºKMW
Trockenbeerenauslese – É uma selecção de uvas afectadas pela podridão nobre no qual o mosto pesa no mínimo 30ºKMW.
Eiswein – é um vinho obtido exclusivamente de bagos de uvas geladas na vindima e durante a sua prensagem. O mosto deve ter um peso mínimo de 25ºKMW, o mesmo que para o Beerenauslese.
KMW – (Klosterneuburger Most Waage) – escala para determinar o peso do mosto ou açúcar residual nas uvas colhidas.
1 KMW =5º Oechsle
África do Sul

Todas as crianças da África do Sul aprendem na escola que Van Riebeeck chegou à África do Sul em 1652. A razão da viagem deste senhor holandês foi fundar uma estação de aprovisionamento no Cabo da Boa Esperança para providenciar comida e bebidas frescas para a esquadra de comerciantes da Companhia Holandesa do Este da Índia nas suas viagens para a Índia.
Uma das primeiras coisas que Van Riebeeck e a sua tripulação fizeram foi construir um forte e plantar uma horta. Uma vez que estas começaram a crescer, em 1655, os primeiros colonos plantaram uma vinha. Em 2 de Fevereiro de 1659 a sua paciência foi compensada quando o primeiro vinho feito de castas do Cabo surgiu. Coroado de sucesso, os lavradores começaram a plantar vinhas numa grande escala.
Eles estavam entusiasmados mas infelizmente tinham muito a aprender e tiveram algumas contrariedades. Quando Simon Van der Stel, chegou em 1679, este novo governador, um expert em viticultura e enologia, plantou um vinha na sua quinta, Constantia, que ficou conhecida por produzir vinhos famosos.
Uma valiosa contribuição e influência francesa foram os Huguenots, religiosos refugiados que se instalaram no Cabo Ocidental. A sua cultura e habilidade na arte de fazer vinho deixou na indústria vitivinícola e vidas locais.
Q qualidade tornou-se um problema com o mercado exportador durante o século XVIII. Algumas das pipas para a exportação de vinho eram usadas para transportar carne salgada e logicamente os mercados europeus e do médio oriente não se mostraram muito entusiásticos.
A ocupação britânica no Cabo e a guerra com a França na primeira metade do século 19 melhoraram as coisas de alguma forma. Mas, a chegada da filoxera pôs ponto final na esperança de muitos lavradores que abandonaram a vinha em favor das avestruzes.
A ordem foi restabelecida em 1918 com a fundação duma organização chamada Winjnbouwers Vereniging van Zuid_afika Beperkt – KMW resumindo. Esta entidade legislou a fundação da actual florescente indústria vinícola, marketing e exportação dos vinhos Sul-Africanos.
As castas
As castas da África do Sul foram originalmente importadas da Europa e frequentemente enxertadas em porta enxertos Americanos.
Os viticultores sul africanos desenvolveram 6 cruzamentos reconhecidos internacionalmente, sendo o mais conhecido o Pinotage, um cruzamento de Pinot Noir e Hermitage (Cinsault). Os outros 5 são todos variedades brancas – Chenel (Chenin Blanc x Trebbiano) Weldra, Colomino, Grachen e Follet.
Hoje em dia nenhuma casta pode ser importada sem a autorização do Vine Improvement Board.
Chenin Blanc (Steen)
Sultana
Colombard
Palomino
Muscat de Alexandria (Hanepoot)
Cape Riesling
Chardonnay
Emerald Riesling
Sauvignon Blanc
Muscadel
Clairette Blanche
Castas Tintas
Pinotage (Pinot Noir x Hermitage)
Cabernet Sauvignon
Cinsaut (Hermitage)
Gamay
Merlot
Red Muscadel
Pinot Noir
Shiraz
Souzão
Tinta Barroca
Zinfandel
Legislação
Um selo oficial numa garrafa de vinho Sul Africano certifica que foi classificado e garantido pelo Wine & Spirit Board.
Este sistema de classificação "Wine of Origin" foi introduzido por legislação em 1973.
Regiões
Em 1973, as áreas de crescimento da vinha foram divididas em regiões oficiais, distritos, Wards e Estates.
Este portfólio mostra a localização de mais de 90 estates, 70 cooperativas e quase 100 empresas operadas por aproximadamente 4 700 quintas activas as winelands do Cabo.
Constantia
Durbanville
Franschhoek
Karoo
Olifantsriver
Orangeriver
Paarl
Robertson
Stellenbosch
Swartland
Tulbagh
Worcester
As quintas de Groot Constantia, Klein Constantia, Buitenverwachting, Constantia Uitsig e Steenberg constituem a actual ward de Constantia. As três primeiras faziam já parte da propriedade de Van der Steel
Groot Constantia conheceu o apogeu da sua celebridade durante o século 19, quando a família Cloete produziu um vinho de sobremesa, muito apreciado pelos imperadores, reis e aristocracia da Europa.
Durante a sua estadia no exílio em Santa Helena, Napoleão aprovisionou vinho de Constantia.
O clima e os solos são considerados como os mais propícios à viticultura na África do Sul. As uvas beneficiam da sombra da montanha no período da tarde, a frescura das brisas marítimas provenientes de False Bay torna mais lento o processo de maturação das uvas e as precipitações abundantes tornam qualquer irrigação supérflua.
2 – Durbanville Encostas verdes e brisas
Durbanville, onde o vinho foi pela primeira vez feito hà 280 anos, repousa nas colinas ao nordeste da cidade do Cabo.
A expansão urbana engoliu muitas quintas à volta da vila original de Durbanville, mas 5 wine estates sobreviveram e actualmente vinhos numa grande variedade de estilos.
Esta área é especialmente conhecida para tintos a partir de castas nobres.
A maior parte das vinhas estão situadas em encostas. As brisas do Atlântico, somente 15 km para oeste, e False Bay para o sul refresca as vinhas no Verão e mantém-se secas, como prevenção a fungos e doenças.
3 – Franschhoek O orgulho dos Hugenots
A cidade foi fundada pelos Hugenots franceses, que começaram a chegar ao Cabo em 1688 após fugirem de perseguições religiosas em França.
Eles trouxeram com eles uma cultura baseada na tradição vinha, e muitos deles assentaram neste vale. Um monumento e um museu no fim da rua principal honra a sua contribuição, e muitos dos descendentes são nomes bem conhecidos na indústria vinícola bem como em outras actividades da vida sócio-cultural.
Muitas das quintas e estates foram concedidas aos Hugenots por volta do século 17, e ainda conservam os nomes originais franceses.
Alguns dos melhores vinhos de qualidade provêm desde vale, incluindo brancos secos e com madeira, cabernets sauvignons encorpados, shiraz e pinot noir, e uma gama de espumantes.
4 – Karoo Região de néctar e de contrastes
A região tem a forma duma longa banda estreita, é semi árida, caracterizada por temperaturas estivais elevadas e precipitações pouco abundantes. A maior parte das vinhas estão plantadas em terrenos de aluviões (depósito argiloso ou saibroso que as águas deixam quando se escoam) e dependem da irrigação.
O Pequeno Karoo produz alguns dos vinhos licorosos Sul Africanos mais reputados, nomeadamete o Moscatel de Montagu e os "Portos" de Calitzdorp e de De Rust. Ao longo destes últimos anos os produtores alargaram a sua gama incluindo castas nobres como o Chardonnay e o Merlot. O Chenin Blanc com a sua elevada acidez e o seu gosto frutado natural está também bem adaptado a um clima quente.
5 – Olifantsriver Faixa Verde
O rio dos elefantes tem a sua fonte nas montanhas à volta de Ceres e lança-se no Oceano Atlântico ao Norte de Lamberts Bay. O vale de Olifants River estende-se de Citrusdal até ao sul até Vredental. Algumas zonas são conhecidas pelo seu delicioso chá rooibosch (chá vermelho), um produto indígena.
Os verões são relativamente quentes e a pluviosidade fraca. A água de Olifants River, controlada apela barragem Clanwilliam é utilizada para irrigação. Os solos variam de arenosos a argilas vermelhas.
As vinhas estão concentradas no norte do distrito, embora uma das maiores cooperativas produtoras da região se encontre em Citrusdal.
Existe também um pequeno domaine em Cedarberg a 1500m acima do nível do mar, a mais alta cave da África do Sul.
Produzem-se sobretudo vinhos brancos e vinhos a granel destinado a ser destilado em aguardente.
6 – Orange River
O Orange, um dos grandes rios de África e os seus afluentes são o pivot da indústria vitícola nas regiões quentes e áridas do Cap do Nord e o Estado Livre.
Este distrito é celebre pelos seus diamantes e o "Grand Trou", uma antiga mina de diamantes a céu aberto, datando do início do século.
É tradicionalmente conhecido pelas suas uvas de Smyrne, acolhendo a Cave Cooperativa de Orange, a maior cooperativa da África do Sul e a seguda do Mundo. A produção consiste essencialmente em vinhos de sobremesa, bem como um limitado número de tintos.
7 – Paarl
Paarl é o Berço da KMW, a organização representativa dos viticultores Sul Africanos e o primeiro exportador local de produtos vitícolas.
AS 30 firmas vitícolas do distrito fundaram recentemente uma organização, (The Vintners), afim de coordenar esforços destinados a melhorar a qualidade e o marketing dos seus produtos.
O clima é do tipo mediterrânico, com longos verões quentes e precipitações invernais de 650 mm por ano.
Produz-se uma variada gama de vinhos, desde os brancos secos aos tintos niobres, sherries e portos, espumantes, licores e brandies.
8 – Robertson
Robertso tem 11 caves cooperativas, 12 estates e 4 produtores privados.
A região é formalmente conhecida como produtora de vinhos fortificados, vinhos doces e de sobremesa e vinho para destilação, embora recentemente se dedique também a bons brancos e tintos. Alguns dos melhores Chardonnay do país são elaborados aqui.
9 – Stellenbosch
A pitoresca cidade de Stellenbosch é uma herança do governador Simon van der Steel que a fundou em 1679. A cidade estende-se pelas margens do rio Eerste, no meio de um vale fértil, limitado a este pelos maciços de Simonsberg, de Jonkershoeck e Stellenboschberg e a oeste por Papegaaiberg.
Esta região conta com o maior número de domaines e produtores vitícolas do país, entre os quais se encontram alguns dos maiores nomes da indústria. Três dos mais importantes grossistas produtores estão na região – Stellenbosch Farmer’s Winery, Gilbeys e Distillers Corporation bem como as caves de Brandy van Rijn.
Um clima doce do tipo mediterrânico anual situando-se entre os 600 e 800 mm e uma grande variedade de solos forma um conjunto perfeitamente adaptado à produção de castas nobres. Perto de 300 vinhos diferentes e estilos variados são produzidos, de brancos a tintos varietais ou de lote passando por vinhos espumantes. Muitos deles conquistam regularmente as mais altas distinções aquando de concursos internacionais.
Aqui se encontra a universidade de Stellenbosch, a única do país que ministra cursos de viticultura e enologia. A KWV jogou um papel importante com a criação em 1955 dum instituto de microbiologia do vinho. Encontramos nos arredores o instituto de viticultura e enologia de Nietvoorbij dotado de caves e destilarias experimentais entre os mais modernos no mundo.
10 – Swartland A região do trigo e do vinho
Literalmente "região negra" devido à vegetação indígena que ganha uma cor negra no verão, está tradicionalmente consagrada à cultura do trigo.
Encontram-se mais silos de grãos que caves, mas esta região teve muito sucesso produzindo bons vinhos frutados e a bons preços pelo que a indústria vitícola se expandiu.
As temperaturas estivais podem ser elevadas, mas as brisas provenientes da costa atlântica têm um efeito refrescante. A chuva não é abundante mas as vinhas normalmente irrigadas com excepção das que se encontram nas margens do rio Berg.
Swartland tem 3 caves cooperativas e um domaine. Esta região é sobretudo reputada pelo seu Pinotage e outros vinhos tintos encorpados, bem como pelos seus "Portos".
11 – Tulbagh
A cidade de Tulbagh está situada no meio de um vale com o mesmo nome. Cultiva-se aqui trigo e frutos.
Os terrenos e microclimas variam consideravelmente e as temperaturas estivais podem ser elevadas. Um dos domaine foi pioneiro nas vindimas nocturnas.
Produz vinhos brancos, tintos, sherries e espumante.
12 – Worcester
A cidade é muito conhecida pelas suas escolas para cegos e surdos, bem como pelo seu museu agrícola ao ar livre onde os visitantes podem assistir a demonstrações de actividades agrícolas como a destilação da tradicional witblits (aguardente).
O distrito de Worcester, incluindo o vale de Hex é o maior produtor Sul Africano de vinho, contribuindo com cerca de 25% da colheita anual, bem como o maior produtor de brandy. A região tem 21 caves cooperativas, 3 caves independentes e 4 domaines, e ainda a cave de brandy da KWV, a maior do mundo.
A maior parte da produção é constituída por vinhos brancos e licoroso.
Hungria e o Tokaji
A Hungria tem uma superfície total de 131 000 hectares com uma produção de 4 300 000 hectolitros. Cada habitante tem um consumo médio de 30 litros de vinho/ ano.
Possui 4 grandes regiões vitícolas, cerca de 20 sub-regiões delimitadas e um vinho de renome mundial: o Tokaji.
Tokaji
Implantado desde o final do século II D.C. no Nordeste da Hungria (a Este da Eslováquia), a vinha de Tokaji produz vinhos licorosos raros e sumptuosos. Louis XIV chamava-lhe o "Rei dos Vinhos e o Vinho dos Reis". Este magnífico néctar é proveniente duma região, Tokay-Hegyalja, nas margens do rio Bodrog, situada nos contrafortes dos Cárpatos, na fronteira da Ukrania e da Eslováquia. Bem abrigada contra os ventos do norte, com um pouco mais de 7000 hectares reúne condições geológicas e climáticas excepcionais.
Um solo vulcânico e um micro clima no qual o calor e a humidade se sucedem mesmo antes das vindimas, provocando um duplo fenómeno de botritização e de amadurecimento dos bagos.
A cidade de Tokay e o monte com o mesmo nome nada têm a ver com a casta Tokay Pinot Gris que encontramos na Alsácia.
Castas
Furmint – é a casta branca mais importante, especialmente no Tokaji
Hárslevelü – casta branca muito importante. Literalmente "folha de Tília"
As diferentes categorias de vinho de Tokaji
Tokaji Furmint – O vinho é seco e duma boa vivacidade a partir de Furmint sem uvas passas
Tokaji Szamorodni – O seu nome de origem polaca significa "tal como nasce"
Resulta da fermentação de uvas não seleccionadas mas colhidas tardiamente e contendo já açúcar residual. É branco, do tipo oxidativo, e reparte-se segundo a quantidade de açúcar natural residual entre o Száraz que é seco e o Edes que é doce. O primeiro, com os seus perfumes típicos de avelã e amêndoa torrada, e o segundo, pela sua doçura e aromas florais e frutos secos.
Tokaji Aszú – É o mais célebre e mais procurado dos vinhos de Tokaji e, obviamente o mais caro.
Cinco factores de qualidade explicam a personalidade desde vinho:
- o Solo – Argila e loess com encostas expostas a sul, sobre um sub-solo de origem vulcânica
- o Clima – os verões são quentes e secos, mas acima de tudo com Outonos ensolarados. O rio Bodrog desempenha um papel importante de regulador e favorece assim a chegada da Botrytis Cinerea sobre as uvas.
- As Caves – os vinhos aszú são envelhecidos em caves podendo atingir vários km, verdadeiros labirintos subterrâneos onde reina temperatura e humidade constante. Um microorganismo desenvolve-se aí, o cladosporium cellare e participa na regulação higrométrica.
A elaboração do Tokaji Aszú
No início de Outono, algumas uvas secam, tornam-se passas e são atacadas pela podridão nobre. Estes bagos tornam-se então aszú reunidas uma a uma entre o fim de Outubro e as primeiras neves. As uvas são esmagadas à parte para formar uma espécie de pasta que será mais tarde junta a um volume determinado de vinho seco.
Em função do número de cestos (chamados puttonyos) aos quais se juntam 136 litros de vinho base, obtemos o vinho aszú. Um putton contém entre 27 e 30 litros, pelo quanto mais o número de puttonyos é elevado, mais o vinho licoroso.
De seguida, os vinhos envelhecem vários anos em cascos de carvalho nas famosas caves, ao abrigo de mudanças de temperatura.
O Tokaji aszú é um vinho branco licoroso de longa guarda, com um volume impressionante na boca, e aromas que evoluem do mel, damasco e especiarias.
- Tokaji Aszú Eszencia famoso vinho originado pelo sumo obtido por transpiração das uvas botritizadas. A fermentação pode durar alguns anos para atingir apenas 3% de álcool. Não é propriamente um vinho equilibrado mas quase mel, sumo doce com algum álcool.
- Tokaji Máslás e Tokaji Forditás trata-se de produtos elaborados a partir de uma junção de mosto ou vinho sobre as borras (para o primeiro) ou sobre aguardente de aszú ou de szamorodni (para o segundo)
Tabela das diferentes categorias de vinho de Tokaji
Tipo Teor em açúcar gr/litro Envelhecimento casco
Szamorodni seco 0-10 2 anos
Szamorodni doce 10-50 2
Aszú 3puttonyos 60-90 5
Aszú 4puttonyos 90-120 6
Aszú 5puttonyos 120-150 7
Aszú 6puttonyos 150-180 8
Aszú Eszencia 200-240 10-20
Todos estes vinhos são comercializados em garrafas especiais de 50 cl.
Boas casas são: Hungarovin, Disznókö comprada por Axa millésimes, Château Pajzos, Château Megyer; Hétszölö do grupo japonês Suntory, Oremus em associação com as Bodegas Vega Sicília, entre outras.
Os vinhos de Jerez
A origem
As primeiras notícias do vinho de Jerez proporcionaram-nos Estrabão, geógrafo Grego no séc 1ºA.C. que no seu livro Geografia refere que os vinhos de Jerez foram trazidos para a região pelos Fenícios por volta do ano 1100AC.
Durante o domínio árabe, o consumo de Jerez manteve-se sem problemas apesar da proibição.
No ano de 996 o Califa Alhaken II mandou arrancar a vinha.
A conquista de Jerez por Alfonso X – El Sábio – em 1264 originou uma volta de 180º para os vinhos, uma vez que os Cristãos bebiam vinho.
No séc. XII os Ingleses conheceram as vinhas de "Sherish", entrando a Inglaterra com Enrique I, um rei que morreu de indigestão de assado de lampreia.
Em 1402 Enrique III de Castilla proíbe o arranque de uma só cepa das vinhas de Jerez.
Disputado por comerciantes Ingleses, Franceses e Flamamengos, em 1483 é promulgado as "Ordenanzas del Grémio de la Pasa e la Vendimia del Jerez", facto histórico e de suma importância para o controle de qualidade do vinho.
Este grande vinho mencionado por William Shakespeare é hoje em dia apreciado, reconhecido e faz parte das cartas de vinho das melhores casas do mundo.
A região produtora
A região de produção é constituída por terrenos nos municípios de Jerez de la Frontera, El Puerto de Santa Maria, Sanlúcar de Barrameda, Chipiona, Trebujena, Rota, Puerto Real, Chiclana de la Frontera e Lebrija.
Dentro desta região de produção distingue-se uma parte tradicionalmente designada por "Jerez Superior" integrada por terras albarizas de Jerez, El Puerto de Santa Maria e Sanlúcar de Barrameda e uma outra denomimada "Zona" integrada pelas outras terras de barros e areias dos restantes municípios.
O Clima
Corresponde a uma zona meridional quente com importante influência do Oceano Atlântico. O vento é que confere à vinha a humidade marítima que nos meses secos de Verão actua como um factor moderador evitando temperaturas excessivamente altas.
O Solo
Com uma superfície de 10 750 hectares, o Jerez apresenta terrenos suavemete ondulados, destacando a singularidade da terra branca, a Albariza, (alba significa branca em latim). È a terra mais idónea para a produção de uvas aptas para a elaboração de Jerez e a que proporciona os vinhos de melhor qualidade.
A albariza é uma marga (terra calcária misturada de argila) branca e orgânica formada por pela sedimentação das águas de um mar interior que cobria a comarca. A albariza tem um alto poder retentor de humidade, armazenando a chuva que cai para nutrir a cepa nos meses secos.
Existem outras variedades de terras destinadas à produção de vinhos de Jerez, em percentagens menores, chamadas barros e areias.
Castas
O Cultivo
O sistema de plantação tradicional em filas numa orientação Norte-Sul permitindo uma insolação máxima durante todo o dia.
A cepa é plantada a uma profundidade de 60 cm. Os enxertos realizam-se no mês de Agosto e a poda entre Dezembro e Janeiro.
A vindima
Não existe uma data exacta para a vindima se iniciar porque esta depende do grau de maturação da uva. Para fazê-lo 3 entidades trabalham em conjunto, (Estação de Viticultura e Enologia de Jerez, Estação Experimental Mancho da Merced e o Consejo Regulador), desde a 2ª semana de Agosto, fazendo análises diárias de uvas recolhidas em diversos pontos de vinha. A vindima que se inicia normalmente no fim da 1ª semana de Setembro, dura aproximadamente 20 dias.
A obtenção do mosto
Uma vez realizada a vindima, esta é transportada aos lagares, onde em Jerez se utilizam normalmente prensas horizontais constituídas por um cilindro horizontal de aço inoxidável com uma bolsa pneumática que mediante suaves pressões e descompressões se obtém o mosto que representa um rendimento de 70lt/ 100kg uvas. Só este mosto é utilizado para o Jerez.
Os produtos resultantes da 2ªprensagem são utilizados para a produção de outros vinhos não qualificados como Jerez e para a destilação de álcool, os de 3ª prensagem destinam-se à produção de ácido tartárico e outros produtos.
O mosto obtido passa imediatamente a depósitos verticais de aço inoxidável até 40000 litros para realizar a fermentação que tem lugar a temperaturas controladas entre os 22 e 24ºC.
Algumas bodegas mantêm todavia o antigo sistema de fermentação em barricas.
Classificação dos vinhos de Jerez
O vinho de Jerez cria-se em contacto com o ar. A 1ª classificação dos vinhos realiza-se previamente à entrada dos mesmos no sistema de envelhecimento.
As pipas são marcadas segundo o seguinte critério:
Una raya – vinhos muito límpidos com aroma adequados para envelhecimento de Finos, Manzanillas e Amontillados.
Una raya e um ponto – vinhos mais encorpados ideias para envelhecimento de Olorosos
Duas Rayas – vinhos destinados a outros tipos que não sejam Finos e que serão definidos numa segunda classificação
Três rayas - vinhos com deficiente evolução, que se destinam à destilação.
Os vinhos classificados com uma lista são fortificados com aguardente vínica até aos 15-15,5% vol. Embora a generalidade do envelhecimento dos vinhos seja anaeróbia (sem presença do oxigénio), estando as vasilhas fechadas hermeticamente para evitar a oxidação do mosto/vinho, em Jerez o envelhecimento do vinho processa-se de aeróbia.
No caso dos tipo Fino e Manzanilla a oxidação evita-se pela aparição espontânea na superfície do vinho de um véu de flor que o isola do ar, consome o seu álcool e lhe confere os seus nutrientes. Este véu de flor dos vinhos de Jerez formado pelas leveduras, são todas do género Saccharomyces:
S. Beticus
S. Cheresiensis
S. Rouxii
A primeira é a mais forte, diminuindo à medida que o vinho envelhece, actuando então as outras.
Os vinhos classificados com uma lista e um ponto são fortificados com aguardente vínica até aos 17,5 %, o que impede o desenvolvimento da flor e se armazenam em cascos para iniciar o envelhecimento em presença de ar, aeróbia, dando lugar aos olorosos. Estão então criadas as 2 grandes famílias do vinho de Jerez:
Finos (criados sob a "flor")
Olorosos (criados em contacto directo com o ar)
O envelhecimento do Jerez
O envelhecimento do Jerez realiza-se em cascos de carvalho Americano de 600 litros de capacidade, preenchidos em 5/6, deixando uma câmara de ar de dois "punhos" para que possam actuar as leveduras de flor.
Até ao 2º terço do século XIX o Jerez envelhecia pelo sistema de anãdas mas os importadores ingleses queriam os vinhos homogéneos com um sabor uniforme, nascendo então o sistema de criaderas e soleras.
As pipas alinham-se em fileiras de 3 alturas, cada uma das quais constitui uma escala. A fileira ou escala mais perto do solo chama-se solera e contém vinho de mais idade.
Desta fileira extrai-se uma porção para o consumo, que é subtituido pela mesma quantidade de vinho das pipas da 2ª fileira ou 1ª criadera; o vinho extraído da 1ª criadera substitui-se com vinho da terceira fileira ou segunda criadera.
Esta operação conhecida em Jerez com o nome "Corrida de Escalas" e realiza-se com uns utesílios chamados CANOA e ROCIADOR, de modo a que o vinho entre nas pipas pouco a pouco, com o objectivo de não danificar a flor.
Este sistema de envelhecimento é caro, pois permite que os vinhos jovens adquiram as boas qualidades dos vinhos velhos.
O envelhecimento mínimo para os Finos e Manzanillas é de 3 anos e podem atingir 14 criaderas.
Pela sua limpeza, finura e delicadeza o aroma atribui-se :
Una Palma
Dos Palmas
Três Palmas
Os vinhos que são muito límpidos no nariz, que se assemelham aos Amontillados, com a gordura dos Olorosos, denominam-se Palo Cortado e marcam-se as pipas com:
Un Palo Cortado
Dos Palos Cortados
Tres Palos Cortados
Uma vez terminado o processo de envelhecimento os vinhos são clarificados com claras de ovos batidas a ponto de neve, ou com a albumina de ovo concentrada. Finalmente é filtrado para eliminar as últimas impurezas.
Os Tipos de Jerez
Embora existam algumas bodegas que estão a voltar ao sistema de anãdas, os vinhos de Jerez distinguem-se pelos seus diferentes tipos:
Fino – Cor palha e dourado, aroma amendoado, seco e ligeiro no paladar, envelhecido em "flor" e com 15% vol
Manzanilla - cor palha, seco e ligeiro, envelhecido em "flor" exclusivamente em bodegas situadas em Sanlúcar de Barrameda. Tem 15% vol.
Amontillado – cor âmbar, aroma a avelãs, suave e ligeiro no paladar, com 17,5% vol.
Oloroso – inicialmente seco, cor âmbar escuro, forte aroma, muito encorpado, com 18% vol.
Palo Cortado – Cor amarelo torrado brilhante, aroma a velas, paladar seco, equilibrado e muito persistente. Conjuga as suaves e delicadas características do amontillado e a vinosidade e gordura do oloroso. Tem 18% vol.
Pale Cream – Vinho suave, de cor pálida, aroma delicado, doce e com 17,5% vol.
Cream – vinho doce, obtido a partir do oloroso, de cor escura, encorpada e aromático. Tem 17,5% vol.
Pedro Ximenez – cor caju escuro, com aromas de passas. Suave e doce na boca, cheio, vigoroso e equilibrado. Elaborado a partir de uvas Pedro Ximenez, expostas ao sol, para passificação. Tem 17% vol.
O controlo de qualidade
Os vinhos de Jerez estão protegidos pelas suas correspondentes denominações de origem. O 1º controlo de qualidade foi estabelecido pelos Romanos, obrigando as ânforas que continham vinho da região a ser marcadas por 4 "A".
Finalmente em 1935 foi criado o Consejo Regulador de las Denominaciones de Origem Jerez-Xeres-Sherry e Manzanillla-Sanlucar de Barrameda, organismo encarregado da defesa das denominações de origem.
O Consejo vigia todo o processo de elaboração, desde a plantaçãoda vinha até ao consumo. Conta para além disso com um "corpo de inspectores" que recolhem amostras dos vinhos para serem analisados em todos os seus aspectos químicos e de um "Comité de Experts" encarregados de realizar análises organolépticas.
As bodegas são ainda obrigadas a fixar nas garrafas uma cinta ou uma contra etiqueta numerada.
O Cava - O espumante de Espanha
A 1ª garrafa de Cava foi produzida na região de Barcelona por Joseph Raventós, chefe da família Codorniu em 1872
Desde 1830 quando o Champanhe se iniciou em alta, tal como o conhecemos, com o método de dégorgement por Madame Clicquot, começaram também as tentativas de fazer um vinho espumante de qualidade.
A Denominação
Cava (literalmente "cave" ) é produzido pelo método tradicional champanhes. Em 1970, quando os Espanhóis concordaram em abandonar o termo "Champanhe", Cava foi o termo usado para descrever o método champanhes.
O Cava DO não está restrito apenas para as áreas demarcadas seguintes:
Catalunha
Aragon
Navarra
La Rioja
Pais Vasco
Existem também para 3 áreas provisionais:
Valência
Extremadura
Castilla y León
O Cava foi estabelecido em 4 de Setembro de 1959, e o vinho foi elevado para DO em 21 de Fevereiro de 1986. Contudo, embora confirmado pela comunidade Europeia em 15 de Junho de 1986, só em 14 de Novembro de 1991 foi finalmente reconhecido.
Castas
As 3 principais castas recomendadas para o Cava são:
Macabeu
Parellada
Xarel-Lo
Seguido de Chardonnay e Malvasia Subirat e ainda as tintas Garnacha e Monastrell para Cava Rose.
A maior parte das Cavas produzidas em Barcelona e Tarragona usam as 3 castas principais e o "mix" típico é de 50% de Macabeo, 30% de Xarel-Lo e 20% de Parellada. Por outro lado, faz-se também versões de 100% de Chardonnay. Noutras províncias, fora da Catalunha, o Macabeo é usado muitas vezes em 100% e misturado com a Malvasia Riojana (Subirat).
A ordem natural da colheita é em primeiro lugar o Chardonnay, seguido de Xarel-Lo, Macabeo, Parellada e tintas.
A produção é fixada por uma fórmula baseada na tonelagem das castas, isto é, 12 toneladas por hectare para as brancas e 8 para as tintas, com um máximo de 100 litros de mosto para 150 kg de uvas. Isto representa 80hl/ há para as brancas e 53 hl/ há para as tintas.
A Rioja
A zona geográfica conhecida como denominação de origem Rioja ocupa uma superfície de 44 000 hectares que se estendem durante 120 km em direcção Noroeste-Sudeste ao largo do rio Ebro.
A Rioja encontra-se encaixada entre diversos sistemas montanhosos que a protegem e abrigam de rigores climáticos no Inverno e Verão.
Ao Norte as serras de Cantábria, Cellórigo, Cameros, Sierra Cebollera e os Picos de Urbión.
O rio Ebro é a espinha dorsal da região com os seus afluentes como o Alhama, Cidacos, Iregua, Leza, Najerilla e o Rio Oja, donde provém o nome. O clima é dominado por uma influência atlântico-mediterrânica.
Sub-Regiões
Rioja Alta
Rioja Baja
Rioja Alavessa
As duas primeiras encontram-se nas províncias de Rioja e Navarra e a última na província de Alava.
Predominam os solos aluviais que abarcam 50% da superfície total procedentes de argilas depositadas por causas fluviais, 25% com solos argilo-ferrosos de cor roxa de pouca qualidade e outra quarta parte correspondente a solos argilo-calcáreos que oferecem os melhores riojas, estão compostos por areniscas e margas e se distinguem pela sua gama de tonalidades amareladas.
Castas
Desde o século XVIII que se cultivam mais de 40 variedades de uva, actualmente praticamente reduzidas a sete, embora recentemente foram actualizadas sobretudo as brancas. Esta selecção de castas hoje confirmada pelo Consejo Regulador, limita-se a:
Tintas – Tempranillo, Garnacha Tinta, Mazuelo e Graciano
Brancas – Garnacha Blanca, Viura e Malvasia
Predomina o cultivo de castas tintas cobrindo 76% do total, destacando-se pela sua importância a Tempranillo as tintas e a Viura entre as brancas.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Espanha Apresentação
A história do vinho espanhol recua no minimo 3000 anos, altura em que os Fenícios mercadores fundaram um porto na costa sudoeste chamado Gadir (actualmente Cadiz), que se foi movendo para o interior para estabelecer uma cidade chamada Xera (Jerez) onde plantaram vinhas. O clima quente favoreceu os vinhos doces e que se guardavam bem.
Durante o período da lei Moura no sul de Espanha (de 711 a 1492), a vinha continuou a ser plantada como uva de mesa. Contudo após o restauro da monarquia Católica é que o negócio do vinho realmente começou.
No sec XVI Jerez, Canárias e Alicante eram o mercado das festividades de NewCastle, invadindo Cadiz em 1597 com 2900 pipas de vinho. O seguinte passo foi os meados do sec XIX, quando as vinhas da Europa setentrional foram progressivamente devastadas pela filoxera. Então os franceses através dos Pirinéus instalaram-se com as suas castas na Rioja e em Ribera del Duero.
A guerra civil condicionou o crescimetgo da vinha agravada com a 2ª Grande Guerra Mundial. Por volta dos aos 50 as coisas regressaram ao normal, a qualidade e a quantidade aumentaram e as exportações reavivaram. A protecção e o reconhecimento oficial impôs-se até ao conceito de "Denominação de Origem".
Geografia e Clima
A Espanha é um país enorme em superfície na Europa, juntamente com a França e a actual Alemanha reunificada.
A Espanha está cercada e cruzada por montanhas, sendo as mais importantes os Pirinéus, a cordilheira Cantábrica, as serras Guadarram, Moreu e Nevada.
Os principais rios são o Duero, Ebro, Tajo, Guadalquivir, Turia, Guadiana e Minho.
Climatericamente a Espanha tem de tudo desde o clima marítimo até desertos áridos, sob a influência Mediterrânica e Atlântica.
No norte Galicia, Astúrias, Cantábria e Pais Basco são conhecidos colectivamente como a "Espanha Verde", pelo seu clima marítimo, alto índice de pluviosidade e influência Atlântica.
Na costa sudeste para Alicante as influências são mais Mediterrânicas.
As castas
Brancas
Airen (a mais abundante)
Albariño
Calagrano
Chardonnay
Macabeo
Xarel-lo
Moscatel
Palomino
parellada
Pedro Ximenez
Aragon
Torrontés
Sauvignon
Malvasia
Tintas
Tempranillo (cencibel, Tito fino, tinto del país)
Garnacha Tinta
Graciano
Alicante
Cabernet Sauvignon
Merlot
Cariñena
Brancellao
Legislação / Regulamentação
Respeitante à idade
Vino Joven - Para consumo imediato
Vino de Crianza:
- Tintos – 2 anos de envelhecimento com um mínimo de 6 meses em casco (algumas regiões como a Rioja mantém 12 meses)
- Brancos e Rosés – 1 ano de envelhecimento de 6 meses em casco
Reserva
- Tintos – 3 anos de envelhecimento com um mínimo de 1 anos em casco
- Brancos e Rosés – 2 anos de envelhecimento com um mínimo de 6 meses em casco.
Gran Reserva
- Tintos – Só os bons vintage com um mínimo de 2 anos em casco e 3 anos em garrafa.
- Brancos e Rosés – (muito raros) – 4 anos de envelhecimento dos quais 6 meses em casco.
Organismos Oficiais
INDO – Instituto Nacional de Denominações de Origem
Consejo Regulador – Regula as Denominações de Origem
Sistema de Apelações
Denominación de Origen Calificada (DOCa) – é a mais lata categoria, em 1980 e reservada para vinhos de alta qualidade. A 1ª promoção a este estatuto foi a Rioja em 9 de Abril de 1991
Denominación de Origen (DO) – são os vinhos clássicos de Espanha, cada um com o seu Consejo Regulador para fiscalizar todos os aspectos, da plantação, wine making e marketing)
Vino de la Tierra (Vdlt)
Vino de Mesa (Vdm)
Regiões Vitivinícolas
- Galicia
- Castilla y León
- Pais Basco
- La Rioja
- Aragón
- Madrid
- Cataluña
- Extremadura
- Castilla-La Mancha
- Valência
- Andalucia
- Múrcia
- Islas Baleares
- Islas Canárias
Denominações de Origem
Galicia
- DO Monterrei
- DO Ribera Sacra
- DO Ribeiro
- DO Rias Baixas
- DO Valdeorras
Castilla y León
- DO Bierzo
- DO Cava
- DO Cigales
- DO Ribera del Duero
- DO Rueda
- DO Toro
Pais Basco
- DO Bizkaiko Txacolina
- DO Cava
- DO Getariako Txacolina
- Doca Rioja
Navarra
- Doca Rioja
- DO Cava
- DO Navarra
La Rioja
- Doca Rioja
- DO Cava
Aragón
- DO Calatayud
- DO Campo de Borja
- DO Cariñena
- DO Cava
- DO Somontano
Madrid
- DO Vinos de Madrid
Cataluña
- DO Alella
- DO Cava
- DO Conca de Barberá
- DO Costers del Segre
- DO Empordá-Costa Brava
- DO Penedés
- DO Plá de Bages
- DO Priorat
- DO Tarragona
- DO Terra Alta
Extremadura
- DO Cava
- DO Ribera del Guadiana
Castilla – La Mancha
- DO Almansa
- DO Jumilla
- DO La Mancha
- DO Mondéjar
- DO Mentrida
- DO Valdepeñas
Valencia
- DO Alicante
- DO Cava
- DO Utiel-Requena
- DO Valencia
Andalucia
- DO Condado de Huelva
- DO Jerez-Xerez-Sherry /Manzanilla de Sanlúcar de Barrameda
- DO Montilla-Moriles
- DO Malaga
Murcia
- DO Bullas
- DO Jumilla
- DO Yecla
Islas Baleares
- DO Binissalem
Islas Canarias
- DO Abona
- DO El Hierro
- DO La Palma
- DO Lanzarote
- DO Tacoronte-Acentejo
- DO Valle de Güimar
- DO Valle de la Orotova
- DO Ycoden-Dante-Isora