História e Futuro
Os Espanhóis levaram algumas variedades viníferas para a América e aclimataram-nas no Chile.
Francisco de Aguirre, tenente de Pedro de Valdívia, plantou em 1548 algumas cepas trazidas do Peru. Mas essas vinhas que se destinavam à produção do vinho necessário para os ofícios religiosos, não eram de qualidade excepcional. A maior parte do vinhedo foi originalmente plantada com cepas vulgares, como a variedade País (chamada Criolla na Argentina e Mission na Califórnia).
Só algumas variedades nobres como a Moscatel, a Malvasia, a Grenache ou a Torrontês foram incluídas neste dote. Mas o Chile é o milagre e esse pequeno património vitícola começou a dar vinhos tão interessantes e elogiados que criaram ciúmes da metrópole, ao ponto de no início do sec. XIX haver uma tentativa de erradicação do vinhedo.
Pós Filoxera
O vinho chileno celebrizou algumas personalidades como Rafael Errázuriz, que chegou a reunir 700 hectares de variedades nobres. A prosperidade do vinhedo viu-se, no entanto travada, em meados do século XX, quando a economia chilena sofreu forte crise e suspendeu as suas trocas comerciais com o resto do mundo.
Algumas vinhas velhas – Urmeneta, Ochagavia – desapareceram, e outras – Cousiño Macul, Concha y Toro, Undurraga, Fernandez Concha, Pereira – tiveram de se confrontar com uma sobrevivência difícil.
Ultrapassada essa fase com o aparecimento de sérios investidores estrangeiros que chegaram ao Chile, com o propósito de recuperar o vinhedo, renovar a tecnologia e restituir o renome do vinho chileno.
O primeiro desses investidores foi o espanhol Miguel Torres, que se instalou em 1978, empreendendo uma revolução quase definitiva.
As vinificações com a temperatura controlada substituíram as angustiantes fermentações em cubas de madeira de faia chilena (rauli).
A seguir a Miguel Torres foram chegando os grandes mitos do mundo do vinho mundial: os Rotschild, Bruno Prats de Cós d’Estournel, Orlando da Austrália e Paul Pontallier de Château Margaux.
Clima
O Chile é uma faixa de terra com cerca de 4500 km de comprimento e 180 km de largura. O clima para a viticultura é moldado por outra cadeia montanhosa, a Cordilheira De La Costa que atinge os 2000 m de altitude. Entre os Andes e a Cordilheira, um vale enorme estende-se virtualmente através de todo Chile, no qual se encontra a principal área de terra disponível para a agricultura. Este vale é atravessado de Este para Oeste por rios, que carregam a água das neves derretidas dos Andes para o mar. Esta água rica em minerais é usada para irrigação.
Os verões são secos e a queda pluviométrica de 350 a 800 mm ocorrem quase exclusivamente nos meses de Inverno. O clima no norte tende a ser mais quente e menos chuvoso, enquanto que no sul é mais frio e húmido. Contudo, de acordo com cada localização individual e a proximidade dos rios ou dos Andes, existe uma grande variedade de microclimas.
Solo
O Vale Central é caracterizado por terra aluvial contendo sedimentos, pedra e minerais, os quais foram trazidos ao longo dos anos pelos rios que descem dos Andes.
Aparte estes solos predominantemente aluviais, há solos com marga e argila na região de Maipo, bem como em Rapel e Cachapoal. Locais individuais com depósito de pedras em Rapel e Maule e solos vulcânicos para o sul de Curicó e Bio Bio.
Regiões
A zona agrária está situada entre apenas 700 km, de Aconcágua no norte ao Bio Bio no sul. Existem actualmente 3 grandes regiões, já que as duas mais setentrionais, Atacama e Coquimbo, só cultivam uvas de mesa para o Pisco (aguardente chilena).
Aconcágua
- Vale de Aconcágua – É a região mais a norte e a mais quente e simultaneamente a mais pequena região vitícola do Chile. O clima é do tipo mediterrânico, quente e seco. O principal produtor é Errazuriz, sendo o seu porta estandarte o delicioso Don Maximiano Reserve, feito à base de Cabernet Sauvignon
Vale de Casablanca – A 80 km a Oeste de Santiago, representando uma das regiões mais prometedoras para vinhos branco. Os primeiros produtores começaram a plantar a vinha em 1982. Os degelos constituem o principal problema deste vale com riscos elevados entre meados de Setembro e finais de Outubro. As boas casas são Viña Casablanca e Viña Villard.
Vale Central
Este vale que se estende por cerca de 500km desde o rio Maipo até ao rio Maule, reagrupa as sub-regiões mais conhecidas da vinha chilena. Se no rótulo aparece a menção DO Vale Central, trata-se duma designação menos precisa na qual os vinhos de diversas sub-regiões foram loteados.
- Vale de Maipo – Este vale é a mais antiga zona de viticultura do país. As condições climáticas são boas, os solos são férteis e aqui reina sobretudo o Cabernet Sauvignon. A região tem várias boas casas produtoras, nomeadamente, Concha y Toro, com o seus excelentes Don Melchor, a Viña Santa Rita, Viña Undurraga, etc.
- Vale de Rapel – As vinhas estão localizadas a 600 metros de altitude do lado oeste e a mais de 1000 metros a Este ao pé da Cordilheira dos Andes. As boas casas são Los Vascos, Casa Lapostolle, Via Santa Amália, etc.
- Vale de Curicó – a cultura da vinha está principalmente concentrada ao longo dos rios Teno e Lontué. Viña San Pedro, Miguel Torres, Viña Montes, etc.
- Vale de Maule – a região de Maule está situada a 250 km ao sul de Santiago. É um grande vale com clima tipo mediterrânico. Excelente a Viña Carta Vieja.
Região do Sul
A grande região do Sul compreende os vales dos rios Bio Bio e Itata. A situação geográfica e o clima são memos propícios à elaboração de vinhos de qualidade produzindo sobretudo largos montantes para o mercado doméstico.
sábado, 6 de dezembro de 2008
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